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Jujutsu Kaisen é a prova de que o público deseja séries Shonen mais curtas?

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Pensar em animes shōnen como algo “diferentão” é quase pedir pra ser contestado, né? Parece que tudo que dá uma mexida na narrativa já foi feito antes. Mas o que faz Jujutsu Kaisen se destacar não é só a história em si, mas a velocidade com que ela avança, mostrando um novo gosto do público por tramas shōnen.

Lançado em 2018, e segundo o criador Gege Akutami na Jump Festa 2024, Jujutsu Kaisen deve fechar a cortina este ano. Isso significa pouco mais de cinco anos de trajetória, o que é bem rápido se comparado aos clássicos do gênero shōnen e seu impacto.

A evolução do Shōnen Jump

Quem acompanha anime há um tempinho sabe bem o estilo dos shōnen: adaptações longas, com capítulos que se estendem por centenas e lançamentos semanais. Tradicionalmente, eram produzidos o ano todo, sem muita pausa entre os arcos, e quando alcançavam o mangá, vinham os fillers, o terror dos fãs. Mas isso tem mudado.

Todo mundo detestava os fillers, e a indústria percebeu isso. Agora, temos animes shōnen lançados por temporadas, com pausas entre elas, e as histórias estão ficando mais curtas. Raramente vemos hoje séries de 24 episódios seguidos sem interrupções, um contraste grande com o que era feito antes.

O surgimento do Trio Sombrio

Jujutsu Kaisen não inventou essa tendência, mas é um grande exemplo dela. De tempos em tempos, surge um papo sobre os “novos Três Grandes” do shōnen, substituindo Naruto, Bleach e One Piece. Mas agora, o foco tem sido no “Trio Sombrio”, formado por Chainsaw Man, Jigokuraku e Jujutsu Kaisen, destacando-se pelo tom mais sombrio e maduro.

Mas dizer que essas histórias se destacam só pela escuridão é meio que perder o ponto. O que realmente as diferencia é a duração. Se os Três Grandes eram conhecidos por suas longas sagas, o Trio Sombrio chama atenção por estar perto do fim, com adaptações mais curtas e focadas.

O Incidente de Shibuya em Jujutsu Kaisen mostra como essas mudanças culturais afetam a narrativa. Esse arco, um dos mais aclamados recentemente, mostrou uma virada enorme na história, algo que antigamente demoraria dezenas de episódios para ser desenvolvido. Com a rápida progressão e pausas estratégicas, Jujutsu Kaisen conseguiu manter a atenção do público, sugerindo que talvez a galera esteja mesmo querendo histórias shōnen mais rápidas e diretas.

Histórias curtas são realmente melhores?

É fácil notar as tendências, mas entender o que elas significam já é outra história. Parece óbvio que a galera prefere histórias que não intimidem tanto na hora de começar a assistir. Com o retorno de Bleach, por exemplo, muita gente ficou tentada a mergulhar na série para não ficar de fora dos papos, mas será que os novatos realmente se jogaram nessa? E, falando em shōnen longos, será que o esforço de acompanhar não tem seu valor?

Essa é uma daquelas perguntas que quem já se aventurou por essas histórias longas pode tentar responder, mas a resposta varia de pessoa para pessoa. As séries clássicas têm seu mérito, mas isso não torna a pergunta menos complicada. Jujutsu Kaisen parece ser uma resposta direta às principais reclamações sobre o gênero, propondo uma experiência mais enxuta e acessível.

Quando menos pode não ser mais

O Incidente de Shibuya foi épico, mas será que essa grande reviravolta na história não poderia ter vindo um pouco mais tarde? Talvez mais desenvolvimento de personagens, antes de certos desfechos, faria a história ainda melhor. Quando Jujutsu Kaisen chegar ao fim, não seria surpresa se uma crítica comum fosse que a série não foi longa o suficiente. Mas talvez isso seja só a gente acostumado com sagas mais longas.

Uma mudança de ritmo pode ser algo bom, permitindo que as histórias avancem de forma mais significativa e sem as pausas forçadas de antes. Mas isso tem que partir do criador e do que serve melhor à história, não apenas seguindo tendências ou tentando manter o público interessado.

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Tempo não é tudo

Gege Akutami criou Jujutsu Kaisen para ser algo diferente e mais compacto, mas vale lembrar que o mangá quase foi cancelado no começo porque não estava chamando atenção. Isso mostra que os tempos mudaram e as histórias têm menos espaço para respirar antes de provar seu valor.

Se histórias mais curtas e rápidas virarem regra, isso pode acabar sendo mais limitante do que libertador. Cada história tem suas necessidades específicas para alcançar seu potencial, e o mercado nem sempre é compreensivo com essas diferenças.

Jujutsu Kaisen, apesar de mais curto que muitos shōnen, conquistou o público com os mesmos encantos do gênero. Isso reflete uma mudança nos tempos e gostos, mas a comunidade deveria pensar bem antes de considerar isso o novo padrão. Histórias que demoram a contar têm seu valor, mesmo que não cativem todo mundo de imediato.

Jujutsu Kaisen está disponível no Crunchyroll, pra quem quiser conferir.

Daniel Oliveira

Criador e escritor do site animerant.com.br. O site foi criado exclusivamente para comentar sobre os animes e mangás e oferecer entretenimento geek para os entusiastas do meio.

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